Quanto a sua empresa vale?

É muito comum quando os empresários chegam a um determinado ponto da curva de crescimento da empresa, ou até mesmo em tempos de crise, formularem a seguinte pergunta: “Quanto a minha empresa vale?” Ao longo da nossa experiência profissional de anos assessorando empresas dos mais diversos segmentos, muitas vezes nos deparamos com essa situação. Seja por conflito entre os sócios, por questões familiares, estratégicas ou mesmo para avaliar se o empresário permanece ou não no jogo do negócio. Daí, é muito comum nos depararmos com algumas “fórmulas mágicas” do tipo: toma o faturamento anual x 5, x 10…, enfim, fórmulas prontas que em 90% das vezes passam muito distantes da realidade.

Outro fator também muito comum é o apego emocional do empresário, principalmente quando se trata de uma empresa familiar ou tradicional, onde na maioria das vezes é supervalorizada por haver todo um contexto de vida pessoal envolvido. O excesso de otimismo ou falta de uma visão clara da viabilidade econômico-financeira da empresa, condições mercadológicas ou mesmo uma análise superficial do cenário econômico e suas tendências, tudo isso dificulta a chegar a um valor que se consiga sustentar numa eventual negociação, seja para a venda da empresa, seja para viabilizar a entrada de um sócio investidor.

Também é bastante comum avaliar a empresa pelo método contábil/patrimonial, principalmente com foco nos ativos (maquinários, estoques, equipamento, imóveis etc).

No entanto, é preciso ter em mente que o ativo só tem efetivamente valor quando tem capacidade de geração de caixa futuro. Por isso o nome “ativo”. Tal conceito foi muito bem ilustrado no best seller “Pai Rico, Pai Pobre”, escrito por Robert Kyosaki, no qual, com uma linguagem simples, o personagem explica que ativo é tudo aquilo que põe dinheiro no bolso e passivo é tudo aquilo que tira.

Por isso, no mercado empresarial e financeiro existem metodologias próprias para se chegar ao valor da empresa, que é chamado valuation. Os métodos mais utilizados são: Método de Fluxo de Caixa Descontado e Método dos Múltiplos. Nesses métodos, há diversas variáveis envolvidas, tais como, viabilidade econômica, crescimento da empresa, custo médio ponderado do capital, margem EBITDA, indicadores dos concorrentes, lucratividade, taxas  de desconto, tamanho da empresa, perpetuidade, análise de cenários de crescimento, enfim, fica quase impossível fazer uma avaliação da empresa sem um trabalho profissional.

Para o investidor ou comprador, no final o que interessa é a capacidade de geração de caixa da empresa e o tempo de retorno do investimento, comparados a um certo grau de risco do negócio. Feitos todos os estudos, aí sim, o vendedor e o comprador podem sentar à mesa para começarem a negociação, diante de um relatório de valuation (avaliação da empresa).

O nosso conselho é: não superestime o valor da sua empresa, mas também não subestime. Toda negociação só é boa quando é justa e satisfaz as duas partes.

Uma excelente semana a todos.

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